O MOB utiliza-se do espaço público para transformar os vazios entre as pessoas,a cidade e o mundo.

O MOB utiliza-se do espaço público para transformar os vazios entre as pessoas,a cidade e o mundo.

Por Bruno Botafogo em 28 de abril de 2017

 

O Coletivo MOB – Movimente e Ocupe o Seu Bairro tem como essência de seu projeto a proposta de agregar os cidadãos e criar conexão entre eles a partir da identificação das claras necessidades de cada grupo, de suas diferenças e da forma como podem ser superadas para, então,  chegar à saudável e frutífera convivência urbana. O MOB enxerga o espaço público como o cenário ideal para criar esta empatia pois ali “desarmam-se” as pessoas na medida que ninguém detém o poder individual e, sim, busca-se de forma totalmente inclusiva o poder da união. Afinal, o modo de vida urbano se faz em comunidade e o placemaking é o exercício transformador que se pratica diariamente nos espaços públicos, este grande palco da democracia e convivência. Vídeo MOB

 

Como O MOB agrega.

 

   O MOB, em uma de suas primeiras linhas de atuação,  apresenta-nos o Manual de Ocupação de Brasília – de Júlia Solléro – uma visão muito clara sobre o que é fazer placemaking numa cidade tão peculiar como Brasília, onde em seu DNA está a concepção de um projeto modernista único no mundo e onde focam-se os espaços públicos – abundantes e cheios de qualidades –  mas onde privilegiam-se, até os dias de hoje, os carros e não as pessoas. Esta dinâmica “prejudica o desenvolvimento da função social da urbanidade”. Estes enormes espaços vazios, entre edificações e pessoas, devem ser preenchidos. Júlia nos resume bem a questão: “Os prazeres e as possibilidades que o espaço urbano pode trazer são incalculáveis, mas tudo só pode começar a mudar a partir de uma nova consciência em relação aos vazios urbanos da cidade, principalmente compreendendo suas origens e analisando tanto suas melhores qualidades quanto suas piores carências”. O que o MOB busca é resgatar a cidade para as pessoas por meio do ativismo urbano.

 

Segundo nos conta Natália Magaldi, o Coletivo MOB trabalha baseado em cima de 5 Princípios e estes são interligados de forma a dar sempre efetividade às ações.  O primeiro “Dar o Exemplo” é começar dentro de si, dentro de casa e ser assim uma referência para a sua comunidade. Devemos primeiramente nos transformar e então partir para a ação com os princípios do placemaking nos acompanhando.  E Júlia nos conta que sua mãe separava o lixo em casa mas de forma sem compreender claramente o porquê. Foi então que numa oficina realizada pelo MOB sua mãe pode ter contato com uma recicladora de lixo e ouviu dela suas dificuldades e como o lixo poderia chegar melhor separado para que seu trabalho fosse mais eficiente – para ela e para o planeta. Hoje, a mãe de Júlia está transformada com a experiência e seleciona muito melhor seu lixo.

Aqui já percebemos que o segundo princípio “Conectar” já fora concomitantemente aplicado. A realidade de uma mulher foi conectada à realidade de outra e a transformação que se deu foi compartilhada. Já emendamos no terceiro princípio “Faça Você Mesmo” onde a Ana Gama nos lembra que nossa cultura está muito em “reclamar das coisas mas não se levantar para mudá-las”. Você pode sim ser um agente de ocupação, você tem este poder. Afinal, a “Rua é Nossa” e assim temos a responsabilidade sobre ela. E para entender o quinto princípio “Perturbar a Ordem em Nome da Mudança” a Ana nos provoca: “Toda mudança necessita de uma quebra. Este processo é perturbar a ordem. Ela está posta, sem questionamento, e pode não ser a melhor ordem. Devemos questionar para depois reconstruir”. É, entendeu bem agora a ordem “Movimente e Ocupe”?

 

O  Movimente e Ocupe o Seu Bairro tem quatro formas de realizar o seu trabalho – Intervenções Urbanas, Ações Educativas, Participação Comunitária em Projetos e Projetos Para Espaços Públicos.  Algumas delas já receberam reconhecimentos importantes pelo Brasil como exemplos de placemaking. E o termo é tão novo ainda no mundo que a grande maioria dos agentes de ocupação de espaços públicos não sabem que estão fazendo placemaking. Não será o seu caso?  Vamos tratar rapidamente de dois cases de destaque do MOB.

 

Ações Educativas:  Caminhada da Joaninha  – Vencedor na categoria Conscientização e Formação Cidadã no 1o. Congresso de Urbanismo Colaborativo  – Courb

Este projeto foi inspirado no movimento mundial Janes Walk´s que tem a visão de que “os pedestres são os olhos da rua e que por isso, devemos integrá-los da melhor forma ao desenho das cidades” (Jane Jacobs). De 2007 até hoje foram mais de 100 cidades e 25 países que organizaram caminhadas conduzidas por cidadãos para a discussão e compartilhamento de seus conhecimentos sobre o amor por aquele lugar. O MOB criou uma versão voltada para as crianças e seus pais (sim, a conexão entre pais e filhos deve ser constantemente retrabalhada) onde todos saíram para apreciar e desbravar a cidade conversando descontraidamente sobre os espaços públicos.

A Caminhada da Joaninha MOB – Joaninha aconteceu na SQS 210 com cinco exercícios de sensibilização: venda nos olhos para escutar e sentir a cidade; brincadeira no parquinho abandonado; gincana para aprender a separar o lixo de casa;  curativos urbanos para cuidar dos machucados da cidade;  e muito desenho e pintura.  As crianças receberam a medalha de  Guardião da Cidade e completamente motivadas para cuidar dos nossos espaços públicos.

Intervenções Urbanas: Ocupação do Setor Comercial Sul 

Quem é de Brasília e já passou dos 50 anos conhece bem o SCS e entende sua glória, decadência e, atualmente, a luta por sua ressignificação como espaço público. Uma zona central que já foi o endereço das grandes corporações, empresas e escritórios da capital federal, cercado pela Rodoviária do Plano Piloto, Setor Hospitalar Sul, Setor Hoteleiro Sul  e acima pela W3 Sul.  Com a construção dos Setores correspondentes na Asa Norte e demais outras escalas agregadoras, o SCS entrou em decadência e seu mix de serviços hoje é bem mais modesto e os estacionamentos públicos continuam o eterno problema. Mas aí surgiram agentes de ocupação de espaço que , mesmo sem saber que fazem  placemaking, começaram uma lenta e ainda muito incipiente transformação. O Coletivo Labirinto e o Criolina certa vez resolveram fazer uma festa no local e chamaram o MOB para uma intervenção.

Manuella Carvalho Coelho nos chama a atenção para “a proposta interessante deste projeto do MOB que foi a visão de que apesar da festa ser uma intervenção efêmera, assim mesmo teriam de deixar um legado relevante e o mais natural possível no cotidiano das milhares de pessoas que ali circulam no dia a dia”.  A comunidade foi chamada e partiram para a execução da intervenção que realmente impactou o espaço público.

Reconhecimento do Trabalho: Prêmio Brasil Criativo

O Prêmio Brasil Criativo é o reconhecimento oficial do país e que abrange os cinco campos da Economia Criativa: Criações Culturais e Funcionais, Audiovisual e Literatura, Patrimônios, Artes de Espetáculo e Expressões Culturais, além do prêmio de Reconhecimento por Trabalho Consagrado.

Pelo conjunto da obra, o MOB chegou às finais na categoria Criações Culturais e Funcionais, subcategoria Arquitetura, disputando com outros dois grandes projetos de placemaking: da Associação Cultural Vila Flores  e do  Praças.  

 

Como O MOB compartilha.

 

O Brasília Ocupada, mapeando o movimento do placemaking na capital federal, percebeu rápida e nitidamente a relevância que o coletivo Movimente e Ocupe seu Bairro tem nas redes sociais.  O MOB se destaca com profundidade, abrangência e atualização constante em sua produção de conteúdo. E o coletivo também tem uma visão muito apurada de marketing (disciplina de uma das integrantes), que vai desde o conceito da marca, passando pelo alto nível da criação tanto de texto quanto de direção de arte.   

O principal objetivo no compartilhamento do MOB, segundo Manuella, é deixar sempre evidente a “replicabilidade do urbanismo participativo, como a gente fez e como você também pode fazer e sempre destacar o legado das ações” e a Natália  complementa que “sempre muito com transparência e proximidade”. E fazem questão de deixar claro que são muito acessíveis, que as pessoas podem entrar em contato para qualquer interação fazendo, assim, questão do conhecimento compartilhado.

Seu site  Coletivo Mob é bem elaborado, rico em informações sobre a proposta e trabalhos desenvolvidos. No Instagram o MOB não tem lá muitas publicações (154) mas tem incríveis 958 seguidores o que demonstra claramente sua influência no segmento do urbanismo colaborativo – eu quero mais fotos!. Seu perfil MOB Facebook , desde outubro de 2015, também é alimentado constantemente nos garantindo uma fonte rica e diversificada de informações de placemaking em nível regional, nacional e mundial.  Um dos posts que comprova sua influência no placemaking foi o que tinha como intenção mapear os agentes de ocupação do DF. Foram mais de 47 engajamentos indicando as iniciativas de ocupação do espaço público. E com grande e grata surpresa para o interesse das Regiões Administrativas com a temática urbana.. O perfil  conta hoje com mais de 2.600 fãs, sendo que o Brasília Ocupada é um dos mais fiéis. Também, com tanta empatia criada por estas 5 profissionais, não poderia ser diferente. Nós, do Brasília Ocupada, curtimos muito.

 

    Os fãs são engajados no placemaking